HISTÓRIA

A “Cidade da Música e da Poesia” ou “ Cidade do Poeta” teve o início da sua história no século XVIII, ainda na época das sesmarias,quando sesmaria de Aporá foi desmembrada em duas, sendo uma delas doada a João Evangelista de Castro Tanajura, tendo como desafio para colonizá-la, distribuiu terras com a condição de que os beneficiários iniciassem plantações de cana- de – açúcar, construções de engenhos criação de gados,desmembrassem as matas,considerando que o município ainda possui uma pequena área da Mata Atlântica e construíssem moradias e currais,além do combate aos Sabujá e Cariri.A construção da sede,no centro da pequena vila e próximo da pequena capela,ficou conhecida Fazenda Curralinho,que ficava às margens da Estrada das Boiadas de Minas Gerais para Feira de Santana(segundo a tradição,essa fazenda era parada obrigatória sendo que o curral abrigava os muares e bovinos das tropas mineiras,de passagem no Recôncavo pelo município para o Rio de Contas e outros destinos) , erguida pelo capitão Antônio Brandão Pereira Marinho Falcão,às margens do Rio Jaguaripe,cuja nascente é nesse município, deu origem ao local onde hoje está situada a sede de Castro Alves

O Arraial de Nossa Senhora da Conceição de Curralinho passou a Vila de Curralinho depois cidade de Curralinho.Em 1900, Dr.Rafael José Jambeiro,um dos maiores representantes políticos do município,no seu mandato como deputado,propôs e conseguiu através de um projeto popular que a cidade de Curralinho homenageasse ao seu filho mais ilustre, Castro Alves,dando o nome do Poeta das Américas,dos Escravos( inconformado com o tratamento dado aos africanos escravizados,muitos deles criando laços com o poeta em Curralinho) e do Amor ao município.

A relação de Castro Alves com o município é muito marcante.No princípio do século XVIII, a Sesmaria do Aporá foi desmembrada em duas, uma das quais doada ao herói da Independência da Bahia,Major José Antonio da Silva Castro, que deixou mais tarde a Fazenda para a irmã Ana Constança,casada com um rico mineiro, João Evangelista de Castro Tanajura,com a incumbência de cuidar das sombrinhas,filhas do major,entre elas D. Clélia,a mãe do poeta,filha de uma aventura do major com uma espanhola de origem cigana,Ana Viegas.Em Curralinho,nasceu também o primo do poeta,Dionísio Cerqueira,grande vulto histórico do Exército Brasileiro,ocupando vários ministérios e participando de forma fundamental na conquista de territórios e fronteiras brasileiras.

Nessa Fazenda,o pequeno poeta fazia visitas desde a infância,criando laços afetivos que o fizeram identificar como seu lar,seu lugar. Em 1870,vítima de um acidente com uma espingarda,com um pé amputado e com a tuberculose em estado avançado,é nas terras do sertão que o médico recomendar que o poeta repouse.

Nesse contexto,o poeta vive sua veia lírica,inspirado pela linda paisagem sertaneja,com vista para a Serra da Jibóia de um lado,exuberante com a Mata Atlântica e suas nascentes e do outro com a rigidez e a força da Caatinga,com uma tênue zona de transição na pequena vila,às margens do Jaguaripe.

Hoje,o contexto histórico-geográfico da cidade é enriquecido com seus vultos históricos,de grande destaque no Recôncavo Sul,na Bahia e no Brasil,desde o major Silva Castro e a independência da Bahia,General Dionísio Cerqueira e as demarcações das fronteiras brasileiras,Dinalva Teixeira( Dina do Araguaia) e as lutas contra a Ditadura Militar. Como Patrimônio Histórico Cultural,destaca-se a Capela de São José do Jenipapo,construída pelos jesuítas em 1704,a Estátua do Poeta,na Praça da Liberdade, a Igreja Matriz,as capelas dos montes Santo Antônio e São Roque,o Casarão Sede da Fazenda ou Casarão do Poeta,as ruínas da antiga Estação Ferroviária da Leste do Brasil e dos antigos armazéns de fumo,símbolos de nossa riqueza durante décadas.

A Cidade da Música e da Poesia encanta por sua contradição:seu ar bucólico em meio ao progresso que se aproxima cada vez mais,buscando guardar as tradições dos povos que ajudaram a construir sua história.